A diferença entre tomografia Fan Beam e Cone Beam


Cone Beam X Fan Beam

Tomografia = tomo (secção, do grego “tomos”) + grafia (escrita). Ou seja, tomografia é o registro de secções (fatias) do corpo humano. A tomografia computadorizada (TC) é um método de auxílio diagnóstico por imagem que utiliza a radiação X para obter a reprodução de uma secção do corpo humano em quaisquer uns dos três planos do espaço. De forma geral existem 2 tipos de tomografia: a convencional e a computadorizada.

A TC é classificada de acordo com o formato do feixe de raios X utilizado: tomografia computadorizada de feixe em leque (Tomografia Computadorizada Fan Beam) e tomografia computadorizada volumétrica de feixe cônico (Tomografia Computadorizada Cone Beam), que é a que utilizamos na Odontologia.

A TCCB introduziu a terceira dimensão na Odontologia, beneficiando aquelas especialidades que não usufruíam da TCFB por falta de especificidade.  A técnica Cone Beam, surgiu em 1998, desenvolvida pela indústria, fruto de pesquisas simultâneas no Japão (Nihon) e Itália (Verona), especificamente para a área da Odontologia, sendo uma derivação de um sistema que já era usado na área médica, para angiografia e mamografia. O primeiro tomógrafo computadorizado cone beam do mercado foi o Newton 9000 – Verona, Itália.

Mas qual a diferença entre Fan Beam e Cone Beam?

Cone Beam X Fan Beam
Feixe em forma de leque X feixe em forma de cone

 Tomografia computadorizada Fan Beam:

Nos scanners fan beam, uma fonte de raios X e um detector de estado sólido são montados em um pórtico rotativo. Os dados são adquiridos através de um feixe em forma de leque estreito e os raios X transmitidos através do paciente. O paciente é fotografado fatia por fatia, geralmente no plano axial, e a interpretação das imagens é alcançada pelo empilhamento das fatias para obter múltiplas representações em 2D. Em resumo: a TCFB produz imagens em fatias e os cortes são posteriormente reunidos na ordem e orientação corretas para a construção do volume.

Tomografia computadorizada Cone Beam:

A técnica cone beam faz uma varredura, com uma única rotação de uma fonte de raios X. Um pistão sensor de raios X, fixo por um braço, gira em torno da cabeça do paciente de forma a adquirir muitas projeções simples ou base de imagens. Ou seja: em uma exposição única com o uso de um feixe em forma de cone, rotacionando em 360 graus, obtém-se uma imagem tridimensional do paciente na tela do computador, imagem que pode ser trabalhada, segmentada e analisada em qualquer plano ou incidência.

A CBCT é hoje empregada em várias especialidades odontológicas: Implantodontia, pois fornece com precisão e sem nenhum grau de ampliação medidas nos três planos do espaço; Ortodontia, para traçado cefalométrico em duas dimensões e três dimensões; Periodontia, para verificar fenestração óssea, altura de crista alveolar e lesão de furca; Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, para avaliar fraturas, dentes inclusos, tumores, localização e delimitação de áreas patológicas na cabeça e pescoço; Endodontia, para verificar canais acessórios e fraturas radiculares.

* * *

Em resumo, veja a tabela:

FAN BEAM (convencional) CONE BEAM (volumétrica)
Dimensão do aparelho Grande, permite exame do corpo todo Mais compacto, permite exame de cabeça e pescoço
Aquisição da imagem Diversas voltas, obtenção de cortes axiais Uma volta apenas, obtenção de imagens-base semelhantes à telerragiografia
Tempo de escaneamento 1s multiplicado pelo número de cortes necessários 10 a 70s
Dose de radiação Alta, exposição ininterrupta durante o exame Reduzida, cerca de 15x menos que a convencional, exposição de 3 a 6s
Custo do exame Alto Reduzido
Recursos do exame Reconstruções multiplanares e em 3D Reconstruções multiplanares e em 3D, reconstruções de radiografias em 2D
Qualidade da imagem Boa nitidez, ótimo contraste Boa nitidez, baixo contraste entre tecidos duros e moles, boa acurácia
Produção de artefatos Muito artefato na presença de metal Pouco artefato na presença de metal

FONTE: GARIB et al., 2007

Uma boa monografia sobre o tema: Estudo comparativo entre as TC Fan Beam e Cone Beam: Revisão de Literatura (Bilinski, J. M., 2011)

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1 Comment

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